Quando se vai para o "tudo ou nada", assume-se o risco do "nada".
Por isso é sempre uma forma tresloucada de agir. Em nossa história não temos tradição de partir para o arrebento. Nossa independência de Portugal foi proclamada por um português.
Nossa república foi proclamada por um monarquista.
O ditador mais sanguinário que manchou nossa história pôs fim à sua na calada da noite.
Abortamos uma investida comunista com uma contra-revolução militar, a qual até hoje chamamos de "revolução", e ainda por cima lembramos o fato na data errada. Esse período ditatorial acabou por meio da Anistia, uma concertação nacional onde politicamente se optou por apascentar os dois lados.
Estes fatos fazem nossa história ser única, bela e complexa.
É preciso serenidade. Sempre. Somos uma democracia. Este é o valor a ser defendido. Por todos.
Que Lula colha o que plantou sendo condenado e preso, dentro dos ditames constitucionais, tendo respeitado seu direito de defesa, mesmo que o processo pareça leniente.
Se eu ofereço barreira para impedir a progressão de uma caravana de cujas posições políticas eu discordo, eu apenas me igualo a quem queimou pneus e me impediu de ir trabalhar. O preceito bíblico de "dar a outra face" não se escora no perdão, mas na resistência. Ensina que a melhor forma de resistir é mantendo a serenidade.
Quem mata uma vereadora e seu motorista é um bandido. Quem atira num ônibus é também um bandido. Mas não seriam menos bandidos se matassem uma vereadora em que eu tivesse votado ou atirasse no ônibus que levasse a comitiva do meu candidato a presidente.
Vivemos um momento único de nossa história, porque estamos perdendo a perspectiva que só a serenidade confere. Já fui pessoalmente perseguido pelos que hoje tomam pedras e ovos. É uma sensação horrível. Não devolver com pedras e ovos é um ato de resistência, não de perdão e muito menos de covardia.
É preciso se dissipar o clima de guerra civil. Senão ela acontece.
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