quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A burocracia deveria existir para todos

Há muitas histórias sobre burocracia. Já deixei de receber por dois meses de trabalho porque não entreguei a cópia do título de eleitor - depois pagaram retroativo. Numa outra oportunidade, exigiram uma cópia autenticada de um documento sendo que eu portava o original comigo. Bastava que a pessoa atestasse ali, de boa fé, a autenticidade. Usei o termo "boa fé" tecnicamente, e talvez ela tenha entendido errado pois passou a elevar a voz.

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Não estava escrito em nenhuma de nossas leis que se masturbar nos ombros de uma mulher - e ejacular - fosse crime. Agora parece que está, e quem fizer isso pode ser condenado a sei lá quanto tempo de cana.

Vimos ontem que o burocratismo, tão nosso, tão entranhadamente nosso, parece ter fraquejado. Um candidato a presidente registrou sua candidatura com falta de documentação. Não apresentou o atestado de antecedentes criminais. Talvez pelo fato de se encontrar preso. Sem o atestado o processo não pode andar. Sem ele, também não há como provar que o tal candidato está preso. Até porque não há, na letra da lei, nada escrito sobre alguém preso não poder se candidatar.

De tal maneira que se usou de uma manobra marota, ixpérta, "inteligente": tenta-se o registro de uma candidatura que se sabe inviável, aguarda-se alguém com coragem para dizer que sem o atestado de antecedentes criminais não se pode registrar uma candidatura (no Brasil tem que ter coragem para cumprir a lei) e daí se indefere a tal candidatura, o que naturalmente vai gerar uma grita sobre isso ser uma perseguição e que absurdo e etc. Aproveitar-se desta forma de brechas na lei é se igualar ao masturbador do ônibus, de quem se possa sempre dizer se tratar de doente mental.

Os doentes mentais tem tratamento. Os doentes morais não.

Ontem atendi a uma mulher que não pôde pegar as caixas do remédio de seu filho na farmácia do SUS, porque ela não tinha um comprovante de endereço no seu nome - pelo fato de ter se mudado há dois meses. Ela recebe salário mínimo e as caixas das medicações custam pouco mais de 700 reais por mês. Ela só vai poder retirar novo lote em três meses. Isso porque os funcionários da farmácia a tratam pelo nome, pois há anos ela vai até lá.

A falta de um papel ou carimbo ou selo pode impedir desde um emprego até um tratamento.

Mas a burocracia não é para todos. A gente sabe que não.

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